Aceitando Mudanças

Você já notou como a gente tá sempre procurando por mudanças? Um estilo de cabelo novo, uma nova tendência, um novo lugar favorito, e por aí vai. Então, por que a gente não consegue aceitar mudanças naturais como a gente aceita aquelas que foram escolhidas por nós?

Eu sempre me senti diferente, tanto na minha família, quanto na escola, quanto na minha cidade. E eu sempre me orgulhei disso. Eu não queria ser como todo mundo. Eu nao queria me sentir entediada comigo mesma. Foi daí que eu comecei a experimentar um pouco com a minha aparência, desde o cabelo até o jeito de me vestir.

Fazer faculdade de moda me deu coragem pra seguir a minha própria estranheza. Eu comecei a realmente desejar ser diferente, me sentir ainda mais diferente de todo mundo. Olhando pra trás, as vezes dá vergonha de alguns dos meus looks daquela época, mas mesmo se eu pudesse voltar no tempo, eu não mudaria nada.Talvez eu estivesse forçando a barra um pouco, mas foi isso que me levou a um caminho de autodescoberta.

A mudança pra Nova Iorque foi o que mudou tudo pra mim em termos de estilo, não só por conta de toda a exposição que eu tive ao mundo da moda, mas também porque pela primeira vez, eu me vi podendo me vestir do jeito que eu bem entendesse, sem ter que me preocupar em ser julgada pelos outros. Isso é uma coisa bem difícil quando você mora numa cidade de mentalidade provinciana. Em NYC, você tem a chance de fazer o que quiser como se ninguém tivesse olhando, e isso é uma experiência puta libertadora.

Pela primeira vez na vida eu comecei a me sentir eu mesma. Também tem o fato de que eu tinha mais dinheiro na mão do que eu sabia o que fazer com ele (desculpa, pai!). Independente disso, eu me sentia muito mais confiante e poderosa do que nunca, e você podia ver isso refletido na maneira como eu me vestia.

Avançando pra alguns anos depois, eu vi toda aquela confiança escorrer pelos meus dedos depois que eu mudei pra San Diego.

Eu tive que me desfazer de 70% do meu guarda-roupa, porque eu e meu namorado decidimos mudar da Costa Leste pra Costa Oeste do país, com bem pouca grana. Também tem o fato de que eu constantemente culpava a nova cidade pela minha falta de inspiração - o que em parte faz sentido - e isso adicionado ao stress da adaptação, um princípio de depressão e crises frequentes de ansiedade me “ajudaram” a ganhar uns 10-12kgs. O que foi um soco bem grande no estômago pra alguém que, por muito tempo, sofreu calada com desordens alimentares e um medo absurdo de engordar.  

Uma nova era de leggings, sneakers e camisetas o dia todo, todos os dias, comecava. Baixa auto-estima foi outra razão pela qual eu sumi das mídias sociais todas por um tempo, mas isso provavelmente acabou sendo uma coisa boa.

Não foi até eu começar a escrever esse blog que eu me dei conta que ser feliz na minha própria pele só depende de mim, e que como a camaleoa que eu me considero, eu deveria aceitar essa mudança assim com eu aceitei as anteriores. E enquanto eu ainda to tentando perder peso porque eu quero me sentir mais saudável, eu decidi parar de me punir por não pesar 50kgs ou vestir 34 mais, e ao invés disso, eu decidi começar a apreciar as minhas novas curvas.

Eu ainda guardo algumas das minhas roupas antigas favoritas, ainda que elas não me sirvam mais, mas o resto das coisas que não passava nem nas minhas pernas, eu decidi me desfazer, porque eu finalmente entendi que nenhuma peça de roupa vale você se matar de chorar na frente do espelho ou se odiar porque não consegue fechá-las.   

Eu finalmente entendi os poderes curativos do amor-próprio e eu te falar com certeza que eu parei de ligar tanto se eu visto 32 ou 42, porque eu sei que não importa o  meu tamanho, eu sempre vou arrasar nos meus looks com a mesma paixão e entusiasmo.